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Desde o primeiro dia que conheci Barra Velha, me encantei por ela. Sempre foi meu destino por excelência e algo sempre me puxava para cá. Sei que aqui somos abençoados e tenho a certeza de que é possível com boa vontade e junto com todos que amam essa terra, faremos de nossa cidade um verdadeiro pedaço de céu!

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quinta-feira, 3 de abril de 2014

Aterros x Lixões em Barra Velha


Todos sabem que há muitos anos a nossa querida Barra Velha tem "exportado" seu lixo para um aterro/lixão localizado na cidade de Brusque, distante pouco mais de 60 quilômetros ao sul daqui.
O que poucos sabem é que a empresa que coleta os resíduos sólidos na nossa cidade não faz a separação do lixo orgânico do lixo reciclável, compactando tudo junto dentro dos caminhões coletores, impossibilitando a reciclagem ou reutilização de muitos materiais secos que poderiam ter outro destino que não o aterro sanitário.

Já que estamos falando no assunto, você sabe qual a diferença entre aterro sanitário e lixão?
Não sabe? Pois bem, a diferença entre os dois é que no aterro sanitário é colocada uma camada de terra sobre o lixo(aterrar) e no lixão o lixo fica a céu aberto. Basicamente são a mesma coisa, apenas no aterro, o lixo fica escondido! Não podemos esquecer que lixo também são restos de construção, móveis e outros objetos diversos que não tem mais serventia.
Lixão na Pedreira abandonada de Itajuba
                                                   




Vamos ao que interessa: após Barra Velha contratar uma empresa para recolher o lixo, e pagar muito caro por isso, com o passar do tempo descobrimos que esta empresa faz uma seleção do lixo a ser recolhido. Veja bem, ela não faz a separação do lixo, mas ela escolhe qual lixo vai recolher!
Se o lixo estiver na beira da praia, fora da rota prevista pelo caminhão ou ainda for lixo "diferente", ele não é recolhido.
Nesses casos o cidadão que paga pela coleta tem que se virar, chamando catadores avulsos, chamando a Prefeitura para recolher o que deve ser recolhido ou então, na pior das situações, jogar o seu lixo em qualquer lugar!  Muitas vezes se vê o caminhão coletor passar direto pelas casas quando vê lixos"diferentes" como garrafas, plásticos, pneus, restos de limpeza de jardim, etc.  Será que isso não é lixo?
É claro que se houvesse separação seletiva do lixo, seria mais fácil, mas isso representa um gasto maior para a empresa que no fundo só quer lucrar.
Já se paga proporcionalmente uma tarifa alta comparativamente a outras cidades como Joinville ou Curitiba, onde o serviço de coleta e destinação é muito melhor e bem mais barato que por aqui. Nessas cidades têm coleta de materiais perigosos, tintas, solventes, medicamentos, pilhas e baterias, varrição, coleta de folhas e tudo a tarifas mais baixas que as daqui!

Depois de tudo isso resolvi investigar onde é depositado o lixo que a Prefeitura e os moradores acabam, por falta de opção, largando em qualquer lugar! Surpresa: descobri três (3) lugares, pode até ter mais!! Um é na antiga pedreira localizada no Bairro de Itajuba, no fim da R. Cirino Cabral subindo o morro à direita,  a outra é bem no centro na R. Walter Becker-acesso pela R. 1249 e finalmente a mais infeliz, pois se trata de área de preservação ambiental do Parque do Peabiru, nas imediações dos Bairros Vila Nova e Nova Barra Velha, perto das Ruas 2040, 2024 e outras.
O que mais surpreende é que muito desse resíduo sólido é depositado pela ou com a permissão da Prefeitura Municipal, numa clara infringência ao Artigo 47 da Lei 12305/2010.
Lixão nas proximidades da Rua Walter Becker-centro
                                                   

Aterramento de nascentes-crime ambiental

Os três locais visitados na cidade são áreas em recuperação ou de preservação ambiental, seja uma antiga pedreira desativada, um fundo de vale onde havia nascentes e um pequeno córrego e um Parque Ambiental ainda não implementado pela morosidade e burocracia legal ou outro impedimento qualquer.
A tentativa de encobrimento do lixo com terra e outros materiais se faz evidente nos locais de deposição demonstrando com clareza a vontade de esconder do público a prática criminosa  de lançamento de lixo constatado.
Descobrimos também que o lixo que a empresa contratada por Barra Velha não recolhe nas praias, vai para estes locais após o recolhimento feito pela Prefeitura. Não é admissível o Município possuir uma empresa contratada legalmente para a coleta e destinação final do lixo e esta empresa não executar esta coleta de forma satisfatória, adequada e completa. Com isso, induz a municipalidade em crime ambiental quando o lixo é arremessado em local inadequado.

Diversos quesitos de lei estão sendo desrespeitadas pela Municipalidade de Barra Velha, começando pela não elaboração de Plano Municipal da Gestão de Resíduos Sólidos, Artigos 18 e 19 da Lei 12.305, onde o município perde recursos da União pela não apresentação desse plano de manejo em tempo hábil, fato que esgotou o prazo em 2 de agosto de 2012, ou seja há dois anos atrás. No escopo das Leis 12.305/2010 e 9.605/1998 há as responsabilizações e penas a serem aplicadas aos agentes públicos e privados que não a cumprirem, e que nesse caso, para o responsável administrador público municipal pode chegar a multas e afastamento com a perda do mandato bem como outras sanções.
Lixão no entorno e Parque Peabirú -Vila Nova e Nova Barra Velha







Infelizmente apenas 776 cidades de quase 4800 existentes no país praticam a coleta seletiva e a reciclagem organizada. Todas as outras, inclusive Barra Velha e a maioria na nossa região correm o risco de terem seus prefeitos incluídos em improbidade administrativa pelo não cumprimento da lei que tem como data limite o dia 2 de agosto de 2014.
Triste é saber que com a correta aplicação da Lei, os municípios gerariam empregos e renda para muitas famílias, pois em cooperativas corretamente implementadas em parcerias, muita informalidade poderia ser extinta com a humanização dos trabalhos. Também se perdem recursos federais de diversas fontes pelo não cumprimento das leis, fontes essas que manteriam todo o projeto e sistema de gestão de resíduos sólidos funcionando de forma autônoma e independente.
Vemos alguns bons exemplos como a cidade de Porto Belo onde foram instalados pela Prefeitura pontos de recolhimento de recicláveis chamados de PEVs (Ponto de Entrega Voluntária). Somente no primeiro mês de funcionamento desses pontos, foram recolhidas 24 toneladas de lixo reciclável que após reaproveitamento gerou recursos e benefícios para a cidade.

Dessa forma Barra Velha como muitas outras cidades perde, e com ela perdem os cidadãos pagadores de impostos e taxas que não vêem com muito otimismo soluções para esse crescente problema que é a correta gestão dos resíduos sólidos, lixo e também do esgotamento sanitário.





quinta-feira, 31 de outubro de 2013

4ª CONFERÊNCIA NACIONAL DO MEIO AMBIENTE


Como é de conhecimento de alguns, tenho grande simpatia e envolvimento pela questão ambiental da minha cidade e, por consequência, meu estado e país! Durante os últimos meses estive envolvido com a 4ª Conferência Nacional do Meio Ambiente, que se desenrolou ao longo desses meses em etapas regionais e estaduais, vindo a culminar os trabalhos nesta semana, em Brasília, com a etapa derradeira.
Esta etapa Nacional, em Brasília, sob a coordenação do Ministério do Meio Ambiente, aconteceu nas dependências do Centro Internacional de Conferências de Brasília (CICB) situado no Eixo Monumental lote 5, perto da Ponte JK, do Lago Paranoá.
A logística do local do evento é muito boa, contando com inúmeros espaços e salas para reuniões, debates e plenárias, sendo que quase todos os espaços são multiuso providos de paredes deslisantes em trilhos e contam com multimídia, som e wi-fi.
As refeições de todos os participantes aconteceram nas próprias dependências do CICB contando com amplos restaurantes e ótimo sistema de buffet.

Divisórias multiuso deslizantes



Nesta etapa finalizadora dos trabalhos iniciados nas cidades e regiões dos estados, 1352 delegados entre eleitos e natos compareceram em Brasília, representando todos os 27 estados brasileiros. Para chegar a isso, aconteceram 643 Conferências Municipais e 179 Conferências Regionais representando um total de 3652 municípios brasileiros. Além disso, também  aconteceram paralelamente 224 Conferências Livres sobre o mesmo tema, que (desta vez) foi a POLÍTICA NACIONAL DE RESÍDUOS SÓLIDOS (PNRS), que versa sobre a implementação de Lei 12.305/2010.
Também participaram desta Conferência Nacional convidados do Ministério do Meio Ambiente (MMA), Equipe Técnica de suporte e organização, Equipe de Apoio e Facilitadores Palestrantes e Relatores, somando aproximadamente 3000 pessoas envolvidas. Na abertura do evento discursaram a Ministra do Meio Ambiente, Isabela Teixeira, e o Ministro Chefe da Secretaria da Presidência, Gilberto Carvalho, entre outros Senadores, Deputados e Representantes de Entidades Governamentais e Não Governamentais(ONGs).
Dessas pessoas todas participando, tiveram direito a voz e voto todos os delegados estaduais eleitos e natos que durante a Conferência escolheram as melhores propostas na gestão de Resíduos Sólidos para seus estados e regiões sempre pensando e contemplando o país como um todo.
Plenária com fala da Ministra do Meio Ambiente- Isabela Teixeira

Esses votos e escolhas feitas pelos Delegados Estaduais foram de suma importância, pois as 15 mais votadas propostas em cada eixo temático num total de 60,  serão os norteadores e possíveis PL (projetos de Lei) e LC (Leis Complementares) a serem desenvolvidas para a real aplicação e fiscalização da Lei 12.305-2010.
Os Eixos Temáticos norteadores dos trabalhos foram os mesmos debatidos regional e estadualmente, sendo: 1- PRODUÇÃO E CONSUMO SUSTENTÁVEIS
2- REDUÇÃO DOS IMPACTOS AMBIENTAIS
3- GERAÇÃO DE EMPREGO, TRABALHO E RENDA
4- EDUCAÇÃO AMBIENTAL
Os delegados participantes já nas etapas anteriores haviam  escolhido seus temas motivadores e nesta etapa nacional, mantiveram, defenderam e aprimoraram as mais votadas nos seus estados, vindo agora a agregar e buscar entendimento com todas as 1056 propostas já elencadas por todo o Brasil. Escolher e aprimorar somente 60 de 1056 não foi uma tarefa fácil, demandando muitos debates acalorados e que, no final, prevaleceu a votação por maioria de forma democrática e participativa.

Votação das propostas por eixos temáticos
Votação das propostas finais por meio de tablets

O que isso tudo quer dizer? Quer afirmar que existe uma grande demanda em como se resolver a problemática questão do gerenciamento de resíduos, rejeitos e lixo em geral, problema que afeta a toda a população diretamente no dia a dia. Nosso mundo já não consegue mais conviver adequadamente e silenciosamente com a poluição ambiental que se agrava rapidamente e, nesse caso específico, o lixo (resíduo e rejeito) tem uma grande participação nessa problemática.
A partir de 2 de agosto de 2014, todos os municípios brasileiros deverão por força de lei implantar e executar seus programas de gestão do lixo e resíduos, seja na forma individual, consorciada ou como Parceria Público Privada (PPP). Não será mais admitido o descaso que acontece até então com a falta de tratamento, reciclagem e destinação final a que é submetido todo o tipo de resíduo no nosso país. A enorme quantidade de lixões ainda existentes e mesmo aterros sanitários irregulares deverão acabar, privilegiando com isso a geração de emprego e renda para muitos cidadãos e também criando aos poucos no cidadão brasileiro a necessidade de Repensar, Recusar, Reduzir, Reutilizar e Reciclar, todo e qualquer produto que adquirimos para nosso consumo.
Representantes de Santa Catarina
Santa Catarina se fez presente com uma delegação de 38 representantes dos segmentos Poder Público, Empresariado e Sociedade Civil que se espalharam nos 4 eixos temáticos buscando defender propostas que contemplem tanto nosso estado quanto o país como um todo. As discussões foram bem positivas e diversas propostas catarinenses ficaram entre as mais votadas por todo o Brasil e, por consequência, serão destacadas no relatório final elaborado pelo Ministério do Meio Ambiente que será entregue ao Congresso Nacional para apreciação e posteriores encaminhamentos. Nas arguições e debates nota-se com clareza que deve ser uma prioridade ter conhecimentos legais e fundamentados das possíveis propostas a serem defendidas, evitando que as mesmas sejam descartadas seja por inconstitucionalidade ou mesmo por repetição e falta de foco no tema debatido. Muitas pré-propostas de diversos estados estavam mal formuladas e sem embasamento legal e por consequência foram descartadas, fato que pode prejudicar um estado ou região que com isso acabou perdendo tempo nos trabalhos preliminares nas Conferências Regionais e Estaduais.



O que, para mim, foi frustrante foi o pouco debate envolvendo a redução, recusa e o repensar antes de consumir qualquer produto. O foco central foi a geração de renda e financeira, que a meu ver deveria ser a consequência final e não o centro do debate. Ainda temos muito que aprender quando consumimos e adquirimos produtos, seja quais forem. Não adianta pensarmos apenas na destinação final de resíduos, se não reduzirmos e repensarmos a metodologia e matéria prima a ser empregada na fabricação de produtos ecologicamente corretos que venham a poluir menos ou até acabar com a contaminação do nosso meio ambiente. Algumas propostas completamente sem embasamento teórico adequado e legal ainda foram aprovadas, mas com certeza não passarão pelo crivo do Jurídico Federal, pois são inconstitucionais e antagônicos.


                                                   
Nos intervalos entre plenárias, reuniões, debates e palestras, aconteceram no espaço cultural apresentações diversas entre músicos, representações étnicas e conversas. Tudo muito interessante, motivador e de grande importância para se entender a diversidade cultural que existe entre nós.


Santa Catarina esteve muito bem representada entre os 27 estados da Federação, e graças ao bom trabalho de toda a equipe, conseguimos aprovar 8 propostas dentre as 60 que irão fazer parte do Relatório Final da Conferência! Parabéns a todos Delegados Catarinenses que trabalharam duro nos 4 dias da Conferência para elencar a principais propostas de nossa região. Este relatório será posteriormente encaminhado ao Executivo e Legislativo Federais para apreciação e encaminhamentos.
A enorme importância de participar das discussões e eleições seja como Delegado Regional ou Estadual e também na etapa Nacional, seja na votação de propostas que são importantes para nossa cidade, estado e país, numa Conferência Nacional como essa é que as nossas demandas e ideias serão analisadas e implementadas tornando-se norteadoras de ações Nacionais pelos próximos anos. O Meio Ambiente como um todo agradece e necessita nossa atenção agora e sempre.


Depois de 4 dias de trabalho intenso, muitos estavam bem cansados produzindo um interessante retrato nas dependências da Conferência e como todos queríamos descansar, nada como um happy hour com amigos. 
                                                  



Materiais que todos os Delegados receberam para pesquisa e trabalho
                                         

ATÉ A PRÓXIMA E PARABÉNS A TODOS OS DELEGADOS DE SANTA CATARINA E BRASIL!

quarta-feira, 2 de outubro de 2013

Barra Velha - Política Velha


Já não é de hoje que a nossa população tem perdido a crença na classe política como um todo. Seja nas esferas dos poderes legislativo, executivo e até mesmo judiciário, todas as classes representativas dos poderes perdem sua credibilidade cada vez mais.
As novas gerações não querem nem saber de ouvir sobre partidos políticos e políticos em geral, pois o que mais se vê nessa classe são pessoas que pouco, quase nada tem feito para e pelo povo que os elegeu! Realmente a verdade é bem clara, quando o povo clama pela ausência e dificuldade de se ter coerência nas decisões tomadas pelos parlamentares em geral, salvo raras exceções.
A classe dos vereadores é a mais visada e menos valorizada pela própria população que neles votou. Poucos projetos bem fundamentados, conivência, falta de representatividade, ausência perante manifestações populares, despreparo, corporativismo entre outros motivos podem ser citados como determinantes para que a população tenha perdido a confiança nessa classe política.

Barra Velha não foge a regra e com pouco mais de 9 meses de mandato a atual legislatura parlamentar municipal continua a repetir os erros das legislaturas anteriores. As promessas eleitoreiras não serão cumpridas, não existe verdadeira oposição dentro da casa legislativa e a conveniência e apatia se abateram sobre o grupo. Falo isso com propriedade, pois até agora, aproximadamente, 70 indicações e projetos de lei apresentados pelos vereadores foram todos, repito, todos os projetos e indicações foram aprovados, sendo que a quase totalidade por unanimidade. Pergunto eu aqui: Será que dentre tudo que foi votado, não há ninguém discordando de nada?
Será que tudo que é apresentado nessa casa de lei é de plena concordância e conhecimento público para que sempre seja aprovado sem alguma crítica ou ressalva?
Será que todos os projetos aprovados foram tão bem embasados que os vereadores em grupo visualizaram sua perfeição e não recusaram nada?
Posso até ser criticado, como já fui diversas vezes, pelo que estou aqui escrevendo, mas já dizia o poeta e dramaturgo Nelson Rodrigues: " TODA UNANIMIDADE É BURRA". "É de grande burrice todos obedecerem uma ordem ou lei, que vem são se sabe como, elaborada por não se sabe quem e com finalidades vagas e indefinidas".

Vejo agora com mais clareza o porquê da casa de leis municipal de Barra Velha estar sempre com seu plenário quase vazio. A população descrente também se tornou apática ao ver seus eleitos representantes pouco fazerem de concreto pelo município. O retrato do descontentamento do povo se vê nas sessões legislativas semanais onde 5 ou 6 cidadãos assistem a assuntos de pouca relevância discutidos pelos edis.
Vou a todas as sessões para saber e ouvir quais os rumos que a cidade está trilhando, mas isso é de pouca valia, pois ninguém pode se manifestar durante uma sessão e nós, os poucos ouvintes assíduos, ficamos a ouvir debates e falas mornas e desinteressantes que pouco acrescentam ao município. Estou quase pedindo a população que realmente não vá às sessões legislativas municipais, pois eu mesmo com o passar dos anos, vejo perda de tempo em tentar participar de forma interativa a essas reuniões.

Critiquei recentemente, de forma pública e clara, um projeto de lei aprovado na Câmara Municipal que no seu escopo final permite o lançamento de esgotos nas redes pluviais do município, após estes esgotos passarem por um clorador. Fui prontamente criticado em plenário pela minha colocação por diversos parlamentares que no seu ímpeto de não serem desmoralizados pela opinião pública rebateram dizendo que até aceitavam as críticas, mas que elas viessem com conhecimento e fundamento. Pois bem, o conhecimento que tenho pode até não ser tão erudito quanto gostariam os nobres edis, mas a fundamentação da minha crítica é amparada na resolução nº 020/86 do CONAMA que estabelece as classificações das águas em todo o território nacional, fornecendo parâmetros a serem seguidos e mantidos para se manter a qualidade das águas.  Se qualquer desses parâmetros forem alterados por efluentes domésticos ou diversos, está caracterizada a poluição hídrica!  A Lei 9.605/98 da CF. estabelece no seu artigo 54 os critérios sobre a poluição hídrica bem como as penas aplicáveis nos casos de infrações cometidas.

Critiquei, sim, a aprovação da Lei Municipal apresentada pelo executivo para aprovação, pois me preocupo com a qualidade de vida e a degradação ambiental que acontece em Barra Velha. Todos os nossos rios estão poluídos e impraticáveis seja do ponto de lazer seja da potabilidade! Nada está sendo feito para coibir a detestável prática de lançar esgotos nos rios e canalizações pluviais municipais. Os órgãos fiscalizadores municipais mesmo sabedores das ocorrências,  nada fazem para coibir ou punir os crimes ambientais cometidos. Poucos ambientalistas e pessoas da sociedade tem se mobilizado, ou sequer foram consultados,  no intuito de mudar esse gravíssimo problema, e quando alguém se manifesta ainda é desqualificado por algumas autoridades desinformadas. Minha revolta pode até ser isolada e desvalorizada, mas não é gratuita. Gratuita e leviana é a atitude de mascarar esgotos lançados nos cursos d'água e praias de nossa cidade, tornando-a desprezada, suja e repugnante a todos. Gratuita e leviana é a atitude de qualquer vereador que seja, de tentar desmerecer um posicionamento público meu em chamar a atenção para correta gestão do meio ambiente. A falta de fiscalização na execução de sistemas de tratamento de esgotos individuais, aliada a falta de empenho em providenciar sistema de captação e tratamento de esgotos públicos tem tornado Barra Velha numa cidade suja e fétida  com grande índice de doenças e micoses causadas por águas lançadas irregularmente em córregos, valetas e tubulações.

A perda de tempo e recursos em providenciar sistemas paliativos na questão dos esgotos domésticos só demonstra imaturidade da gestão com o meio ambiente. Esgotamento sanitário e tratamento de efluentes é caso de saúde pública, indispensável para o bem viver de toda a cidade. Criticar e desmerecer a quem levanta a polêmica do assunto poluição hídrica para o debate popular é demonstração de insegurança e incapacidade de gestão. Toda uma população tem direito de participar e opinar sobre ações que irão afetar a todos indiscriminadamente. Pouca ou nenhuma participação de Poderes Legislativo e Executivo tem acontecido em Fóruns, Seminários e Conferências de capacitação que tem ocorrido com frequência na região. Não se vê audiências públicas nem reuniões setorizadas promovidas pelos Poderes Executivo e Legislativo. Mesmo associações municipais pouco ou nada fazem para debater e alavancar os problemas apresentados, buscando soluções compartilhadas. Gestão pública, transparente e com a participação popular é o melhor caminho para soluções coletivas. O resto é egocentrismo!

domingo, 24 de março de 2013

O RIO ITAJUBA PEDE SOCORRO




O Grupo Viagem Família que já existe de forma oficial desde 2007, mas em 1° de outubro de 2011, de forma legal e organizada, transformou-se em uma ONG (Organização Não Governamental) com objetivos claros e definidos conforme sua composição estatutária e organizacional. O principal objetivo do (VF) Viagem Família é a divulgação e defesa de bons hábitos culturais, ecológicos e turísticos, bem como atuar em ações positivas que levem à valorização de valores que são importantes para toda a sociedade.




Dessa forma além das viagem que o Viagem Família realiza de forma a adquirir conhecimento e posteriormente podê-lo dividir com todos, o grupo também tem atuado em ações oficiais de defesa dos direitos e deveres de toda a sociedade. Em meados de 2012 a primeira ação pontual do VF foi na defesa da implantação do Parque Natural Municipal Caminho do Peabirú (PNMCP) na cidade de Barra Velha. Nesta ocasião foi encaminhado a Promotoria Pública da cidade um pedido de averiguações sobre a correta destinação e encaminhamentos referentes aos recursos obtidos pela municipalidade para a citada implementação. Posteriormente a Promotoria, vendo a consistência do pedido, transformou-o numa denúncia que encaminhada ao MP (Ministério Público) e agora a ação tramita na justiça.




Desta vez, aproveitando a Semana das Águas que ocorre no mês de março e o Dia Mundial da Água, 22/03/2013, o Viagem Familia, realizou o Evento que denominamos "O Rio Itajuba pede Socorro"!
Esta mobilização popular realizada na Ponte do Rio Itajuba no município de Barra Velha, tomou corpo pela necessidade urgente em conscientizar e tornar público os problemas ambientais e agressões que este recurso natural está sofrendo. Há anos este rio vem sendo utilizado como despejo de esgotos residenciais e comerciais, bem como tendo suas margens e matas ciliares devastadas e suprimidas. Agressões como construções irregulares, desvio de curso, tubulamentos irregulares e insuficientes, açoriamento, alvo de depósito de lixo entre outras inúmeras agressões tem sido constatadas no local. A consequência dessas ações, algumas criminosas, estão se avolumando ano a ano, e sendo sentidas por todos como enchentes ou secas, cheiro insuportável águas impossíveis de serem utilizadas para lazer ou mesmo como atração turística e também com a supressão de vida.

Local onde aconteceu o evento educativo


O Rio Itajuba foi um berçário natural como muitos rios da região, pois possui em suas margens áreas de mangue onde originalmente se reproduziam espécies fluviais e marinhas visto que sua foz anteriormente natural permitia a entrada de espécies marinhas para a reprodução. Com ações desastradas como mudança do posicionamento da foz despejo de efluentes servidos e até o fechamento das margens com redes de espera, a incidência e quantidade de animais tem diminuído muito e em alguns casos simplesmente extinto.


Trabalhos realizados pelos alunos da Escola  Manoel A. de Freitas sobre as águas
Com esta ação inicial "O Rio Itajuba Pede Socorro", o VF deu início a uma série de trabalhos junto a comunidade local no sentido de informar, ensinar e cobrar ações corretas de gestão do curso fluvial. Isto foi transformado em um projeto de recuperação onde foram distribuídos materiais informativos sobre como deve ser feito o cuidado com o rio, bem como no ensinamento e esclarecimento junto à comunidade de que não é caro nem difícil a execução de bons hábitos no cuidado com os rios. Como gatilho deflagrador, foi montado no dia 23 de março de 2013, o evento do qual participaram muitas pessoas preocupadas com a má gestão do rio. Foi feito uma espécie de blitz educativa com farta distribuição de material impresso e também uma significativa coleta de assinaturas num abaixo assinado. Este documento denominado "OS AMIGOS DO RIO ITAJUBA" será incluído na documentação junto com outras, para posterior encaminhamento a autoridades competentes.
Blitz educativa com entrega de materiais sobre o tema água



Durante o dia inteiro, das 9h da manhã às 17h30min da tarde, o VF com seus amigos e colaboradores esteve executando este trabalho voluntário que visa apenas a conservação e limpeza do Rio Itajuba. Neste primeiro ato, mais de 1500 assinaturas foram colhidas, e durante os próximos dias, em parceria com as escolas da cidade, comércios e amigos em geral, esperamos dobrar ou triplicar este número, que mostrará a intensa vontade popular de recuperar este importante rio para a região. Mais ações para a preservação serão deflagradas no correr do tempo e com o engajamento de todos sabemos da enorme capacidade de regeneração deste rio que além de ser uma atração turística e de lazer, poderá em futuro próximo tornar-se como alternativa a captação de água potável para consumo humano, recurso esse cada vez mais escasso e caro.
Comunidade participando na ação de coleta de assinaturas


Coletando assinaturas
Agradecemos a toda a comunidade envolvida que compareceu postando suas assinaturas e especialmente aos inúmeros amigos que nos ajudaram no sucesso deste evento. Não citaremos nomes aqui, pois corremos o risco de esquecer de alguns, mas podem ter a certeza de que todos que se envolvem numa causa justa e nobre nunca serão esquecidos. A mobilização e participação correta de todos com certeza trará bons resultados que irão beneficiar a muitos. Mais ações acontecerão em breve e serão comunicadas a todos. Muito obrigado a vocês, AMIGOS DO RIO ITAJUBA!!
Camiseta alusiva do evento